bebadosamba, maxixe

08fev08

Tarde chuvosa em casa, revirando cds, acabei por encontrar o Bebadosamba do Paulinho da Viola. E sei que alguns vão me xingar de idiota porque sabem que gosto de coisas esdrúxulas e fico aqui falando de samba. Mas não tenho culpa. O Paulinho da Viola é finíssimo. Letras e músicas lindas. E ele canta lindamente!
Memórias Conjugais é um maxixe bem-humorado, e é uma graça. Aí há também uma explicação acadêmico-afetiva, eu diria. Maxixe me lembra os primeiros anos do século XX, uma das épocas que mais gosto. A belle époque tropical, como o livro do Jeffrey Needell.
Nossa elite afrancesada. Os intelectuais discutindo nos cafés as novíssimas idéias sobre política, sociedade, cultura, progresso, todas vindas da Europa. Reformas urbanas para acompanhar as mudanças, principalmente na capital.
Essas idéias me fizeram pensar que tinha voltado ao começo do século passado. Quando os letrados tomavam café e falavam coisas importantes. E os ricos escolhiam seus pratos nos menus em francês.
Mas enquanto o topo da sociedade carioca cultivava o desejo de ser estrangeiro, as festas populares eram animadas por um novo tipo de dança, uma mistura de vários ritmos. Segundo o Mário de Andrade, a primeira dança genuinamente brasileira. Era o maxixe. Que foi apresentado na Europa e mais tarde conquistou os nacionais que antes torciam o nariz.
Maxixe, então.



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