Cinema…

15fev08

Já experimentou entrar sozinho no cinema numa tarde de sábado? Ingresso, pipoca, refrigerante e lá vai você à procura do melhor lugar. Quando coloca a cabeça dentro da sala, o choque: casais perdidamente apaixonados sussurando por todos os cantinhos do ambiente. Acomodado na poltrona com um carregamento de guloseimas sobre o colo, você sente suas pernas e braços diminuindo e sua aparência aproxima-se à de uma tartaruga. Enquanto ocorre tal mutação genética nos seus membros, outro fenômeno incrível permite que os casais proliferem-se à sua volta na velocidade da luz: ploft! ploft! ploft! Quando você se dá conta, o espaço está repleto de duplas coladinhas e os barulhos de beijos e risadas passam a ser insuportavelmente incômodos. Já que pipocas não falam, você não tem ninguém com quem comentar aquela cena picante do filme.

Depois de dez minutos na situação acima descrita, sua estatura beira os dez centímetros e você quer morrer afogado no copo de soda limonada que repousa ao seu lado. Nas vezes em que isso aconteceu comigo, eu só pensava no quanto o mundo era cruel com um menino bonzinho(risos) feito eu. Adolescentes sempre têm alguma visão romântica acerca dos perrengues da vida: por que as pessoas tinham direito a esse tipo de felicidade plena e eu não? Como diria o poeta, felicidade plena é o caralho, meu nome é Zé Pequeno. Hoje é sabido que 50% daqueles casais tinham rodado a baiana antes de sair de casa. Outros 10% quebrariam o pau depois da sessão, na hora de escolher o fast food mais barato para comer um lanchinho. 20% não brigavam nunca porque eram lobotomizados, mas também não conheciam a tal felicidade plena.

Faltou alguma coisa? Ah, sim. Pelas minhas contas, varri uma bela porcentagem dos casais para debaixo do tapete só para não ter que falar sobre coraçõezinhos vermelhos e olhares brilhantes. Acontece que os 20% restantes eram felizes juntos e isso é incontestável mesmo para uma pilha de gelo cética como esta que vos escreve. Não eram, no entanto, plenamente contentes como eu imaginava durante minha adolescência, porém conseguiam ser suficientemente felizes e isso já é muito quando se sabe que a plenitude não existe.



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