again

09abr08

Eu sei, eu sei que freqüentemente eu me comporto feito um plasta covarde, que deixo oportunidades passarem por falta de empenho, que não vou atrás do que quero e/ou preciso quando deveria, que não sou “proativo” (pausa para vômitos. Meus. É que jargãozinho de auto-ajuda, seja da variante empresarial ou da esfera privada, sempre me provoca essa reação) e o mundo hoje – e sempre ? – é destes insuportáveis seres semi-robotizados, ultra-enérgicos, overachievers e saltitantes.

Eu sei que é estranha essa apatia toda vinda de alguém que sempre incentiva os outros a buscarem o que querem, muitas vezes dizendo a eles a platitude – óbvia porém verdadeira, como a maioria delas – “o pior que pode acontecer é você ouvir uma recusa delicada”. Mas aí é que tá: é que pra mim, em certos momentos, o pior que pode acontecer é ouvir uma recusa delicada e educada. Mesmo!

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Não, a vida não nos explica nada. Ela faz o que bem entende, inventa moda, faz firula, sai de lado, nos deixa com uma mão na frente e outra atrás, sem lenço e sem documento, sem eira nem beira e é isso. Nem bispo tem pra reclamar. Não tem manual de instruções, não deixa consultar os universitários, não obedece as universais leis da física, não tem intervalo, prorrogação, pênaltis, replay, não tem tapetão. A vida chega e pum, apresenta a conta, demanda atitude, não quer nem saber se o pato é macho e exige o ovo, não ouve embromação, não aceita desculpa. A vida não nos dá garantia nenhuma de que é isso mesmo, agora sim, agora vai, acertei, certificado ISO 14000. Não. A vida não é um teste que a gente passa e pronto, tá habilitado, nem um grande problema a ser resolvido. É um quebra-cabeças mutante onde mudam as peças, muda o desenho, muda você e muda o tabuleiro. A vida é foda!


Demonstro com convicção, minha admiração por todos os artistas que fazem a história do Jazz, em especial pelas cantoras, as divas, as Billies Holidays e Ellas Fitzgeralds da vida. Divas estas, que tinham muito mais em comum do que o talento. Foram violentadas, eram negras, pobres e marginalizadas. Billie foi faxineira de prostíbulo aos doze, prostituta aos catorze e apenas em 1930 começou a cantar profissionalmente em um bar. Após um tempo, atraiu a atenção de um crítico musical e passou a gravar clássicos ao lado de ícones como Louis Armstrong e Duke Ellington. Meu afeto pelo Jazz não poderia surgir sem Billie Holiday. Sem sombra de dúvida, é a mais brilhante das cantoras, não apenas do Jazz, como de toda a música!

Linda, forte, comovente, arrebatadora, singular, memorável… de um charme que só as verdadeiras divas têm. E como toda diva, Billie Holiday é simplesmente eterna! Uma eterna diva…


Acho que um dos meus canarinhos vai morrer…
Pequena impressão de que sentirei falta de limpar a gaiola, ou de escutar ele cantando até me irritar.
Há três anos eu dou comida para ele todo dia quando acordo. Ele é até meio diferente dos outros…
É a primeira coisa que eu faço. Ela é o primeiro. E nunca me esqueci. Nem um dia.
O que vou fazer agora antes de arrumar a cama e lavar o rosto?

Essa é a minha rotina, acabando aos poucos.
Deveria ser bom…
eu acho.


Dizem que a desgraça nunca vem desacompanhada. Sempre vem junto duas ou três ou quatro mais…
Mas… de qualquer forma, é curioso perceber que algumas circunstâncias despertam sentimentos amarelados, que quase esquecemos que existem. Sim, o grande Deus ‘Mu dança’.

Não acredito muito que isso tenha a ver com os astros ou com Plutão que não é mais planeta, mas mesmo assim vou lá fora dar uma olhada nas estrelas.


seu, meu, nosso

06abr08

Há uma certa arte em ser invisível. eu estou fumando em frente de casa, retardando o momento de entrar quando ela passa. um segundo depois eu a teria esquecido, se não tivesse feito um esforço. tudo nela busca o esquecimento…
ela passa na diagonal, pisando sem fazer barulho. o obrigado que sussurra ao homem que abre passagem na calçada não é mais do que o movimento dos lábios e não interrompe seu andar. o cabelo loiro praticamente lhe cobre os olhos. a roupa é neutra a ponto de desaparecer. consigo guardar uma calça de abrigo preta. posso supor entre 18 a 23 anos, mas o rosto não mostra – aparenta um anjo. o nariz tem um perfil helênico, um detalhe mínimo de beleza que não pode ser escondido.

Eu acredito que ela seja sozinha e em silêncio. a sacola de compras deve trazer comida para o gato, mas não traz jornais. onde estão as informações que importam para ela? no passado? há uma foto no centro da sala que resume toda a história? ou ela foi um passo além e se livrou de tudo? o que constitui essa vida? se você falasse com ela na mercearia, eu suponho que receberia um sorriso elegante como resposta, que não se deixa confundir com arrogância.

enfim. ela passa e eu tenho que voltar pra televisão. com a lembrança da mulher invisível e de outros que, como ela, vivem em silêncio em prédios antigos, desconhecidos dos vizinhos, cumprindo algum desígnio ou destino traçado que nos escapa. que talvez só nos seja revelado se por algum motivo se tornar o nosso.


O mundo é violento. Como um escarro no asfalto no meio da noite…
Nojento. Poético. Andando com com sapatos que fazem barulho. E é por culpa do silêncio noturno que o o barulho se expande:  “Plact, plact, plact”

Cigarro, isqueiro, fogo, fumaça. Pulmão, fumaça; pulmão, fumaça. Wisky, álcool, gargalho, boca. Estômago, álcool; estômago, álcool. Mais fumaça, mais álcool…

Muda-se o ambiente, mas ainda na mesma noite. Um bar. Um lugar. A música está alta à ponto de aumentar seu batimento cardíaco.  Êxtase. Você sente o pulsar.

ELA curte mexer com a imaginação DELES. Curte ser desejada e curte insinuar mais do que fazer. É tudo um jogo. E é uma delicia. Pra que fazer carinho se é tão mais divertido espancar?
Mira-se o alvo, faz-se charme. Usa-se a indiferença, alcança-se o interesse. Perfeição. Ele está vindo. Ela está indo. Palavras, risadas, olhares. Beijos, apetite.

Volta-se à rua. É a noite, é a esquina, é um canto. É mais beijos, é amassos, passadas de mão.
Mão feminina deslizando ao sul e abrindo o zíper.

É sexo, é no canto da esquina da rua. É descarado, é disfarçado, mas ainda é sexo. Intenso…

Pergunta:
-Foi bom?
E crava uma faca na barriga dele.
-Tadinho… Achou mesmo que podia me possuir?
Limpa o sangue da faca com alíngua e sai andando de volta para o bar, com aquele barulho poderoso à acompanhando. “Plact, plact, plact”


és bella

04abr08

enquanto isso, eu circulo a bella em um ritual autopunitivo de aproximação que, como sei, me convida à uma nova tragédia…
vá lá, tragédia é por demais. mais um pequeno naufrágio, no máximo….auhhauha

Uma semana em zion, contando os dias, imaginando me and bella. e hoje eu entro na matrix procurando flores para ela. minha musa germânica. come to me. ball for all, bella is here!


take #2#

04abr08

Suspendam os prantos e os pedidos por canonização, ainda estou vivo e empesteando este planeta com minhas pegadas e asneiras sem sentido. Estou voltando depois muitos dias no inferno. E só resolvi quebrar o silêncio porque o Romário finalmente desistiu de jogar bola, e o Tulio Maravilha caminha forte para o seu gol 1000, e eu gosto deles porque eles são exemplos de verdadeiros cafajestes, e o mundo está precisando de mais cafajestes e menos bundas moles – magrelos e com franjinhas fedidas ‘a lá’ argentina…


Acabou.
Essa história de blog é toda muito legal, muito viciante, mas tudo tem um fim.
Sim. Eu estou bem.
Problemas? Toda gente tem.
O meu problema é viver da minha imaginação, das minha ilusões. Tem gente que vive para o amor, para o dinheiro. Enfim.
Só que minha imaginação me faz cair constantemente. E eu tô ficando cansado de cair, sempre que acabei de levantar. Ou melhor. Levantar é que me custa mais. Tem vezes que preferia ficar lá embaixo. É mais fácil. Menos doloroso. Mas pronto. São coisas que acontecem e tem momentos da nossa vida que as coisas tem que tomar um rumo diferente. Ok. É só um blog. Não. Não é isso. É essa vida meublog-blogdosoutros-icq está me matando. Tirando tempo. Esse é outro motivo. E vai ser uma merda porque eu amo fazer essas coisas. E pra mim vai ser uma grande coisa.
E somando a tudo isso. Ainda tem a minha falta de fé nas pessoas. Cada dia elas me decepcionam mais. E não adianta. Eu já tenho expectativas baixas sobre elas. E elas continuam a me decepcionar. Então pra mim eu quero que o mundo exploda. O mundo não. Só as pessoas.
Bom.
É isso.
O e-mail continua em pé.
Eu preferia que isso tivesse sido mais espontâneo, mas se eu não me forçar a ter disciplina agora, nunca mais o faço…